Magalhães, um famoso
desconhecido.
Obs: Resgatamos esta matéria em
nossos arquivos publicada no primeiro trimestre de 2013
Documentário de Marcelo Gularte morador de Realengo, mostra detalhes desconhecidos do famoso MC. Magalhães.
Para alguns somente um vendedor
na esquina, para outros simplesmente um cara legal. Uma coisa não se pode negar,
ele é muito popular e já tínhamos intenção de falar sobre ele mas confessamos que
não queríamos parecer exploradores de sua imagem e inocência, como infelizmente
acontece. Quando o Marcelo Gularte nos disse alguns meses atrás que estava
idealizando este projeto então decidimos aguardar, e aguardar esta obra.
fotos Luiz Fortes
Pró-Realengo: Como se deu o interesse de documentar o personagem
Magalhães?
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| reprodução |
Pró-Realengo
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Marcelo Gularte:
O interesse em produzir um
material audiovisual com o Mc Magalhães, frequentemente referido como uma lenda
viva do funk carioca é o desejo de valorizar a sua contribuição como um típico
cidadão brasileiro criativo, camelô, andarilho que circunvaga por todas as
comunidades e retrata muito bem todas as gerações que atravessam a história do
funk. O seu Rap do trabalhador está imortalizado na coletânea dos clássicos
funk´s das antigas, e um rap que além de retratar um momento político do
prefeito César Maia contra os vendedores ambulantes, Magalhães consegue
divertidamente desconstruir a forma de se fazer rap, nos modelos da época. Acho
que consegui dar um tratamento ao filme que representará bem o significante do
Mc Magalhães na cultura.
Pró-Realengo : Certamente
a grande maioria que conhece o personagem, não conhece detalhes
particulares...e com este desconhecimento cria-se diversas muitas lendas.
Marcelo Gularte:
Sim. tenho ouvido diversas
histórias. E esse é o barato em torno do Magalhães. Como ele é uma figura queridíssima,
um tipo Gentileza do funk, ele acaba protagonizando lendas em torno de sua
figura. No curta metragem teremos algumas personalidades falando sobre o Mc
Magalhães, dentre elas: Mc Marcinho, Mc Bob Rum, Mc Leonardo, o artista
plástico Clécio Régis, o produtor cultural, diretor, escritor e cineasta Marcus
Faustini.
Pró-Realengo : Como o
Magalhães lidou com todo este processo?
Marcelo Gularte: O Magalhães se divertiu muito e se emocionou também. Quando disse para ele que faria um filme sobre ele, "tu que sabe", me respondeu. Tentamos reproduzir a imagem do Magalhães que todo mundo conhece pelas ruas, becos e esquinas. E acho que ele ficou bem a vontade diante das câmeras. Fizemos um tour com ele pelo Rio de Janeiro, em mirantes, praias, Arcos da lapa. Era engraçado que em alguns lugares ele nunca tinha pisado, mas não teve um lugar que ele não tenha encontrado admiradores. Todo lugar, era gente gritando "Magalhães", e tirando foto, cantando sua música. Prova de sua popularidade e carisma pelas ruas.
Pró-Realengo : Sei que é sua intenção ampliar este projeto para um Longa metragem, tem ideia quando será?
Marcelo Gularte:
Gostaria de rodar o longa o
quanto antes, mas para esse trabalho precisamos de um patrocínio que ainda não
temos. Minha intenção é colocar em leis de incentivos, angariar fundos e
conseguir apoios.
No documentário diversos depoimentos explicam algumas passagens que a grande maioria desconhece seu sumiço por diversas vezes e que geram sempre a duvida de sua morte, logo desfeita quando o reencontramos nas ruas... Alguns desses depoimentos são de pessoas ligadas a arte de uma forma geral, produtores, empresários, músicos, cantores etc.
Destacamos a mãe do Magalhães falando sobre a demanda
judicial que corre há anos na justiça contra a Furacão 2000, que usou sua
musica num de seus discos e não pagou como rezava em contrato. As contas já
chegam a quase R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) e o senhor Romulo Costa se nega a pagar como
na ultima audiência conciliadora em que através de um de seus três advogados
ofereceu R$ 10.000,00 (dez mil reais) e nada mais. Sem acordo...
É o poder oprimindo mais uma vez os menos desfavorecidos, e por ironia a musica se chama “ O Rap do Trabalhador”
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aqui uma colaboração do amigo Antônio Gamboa
Ícone da Cultura Funk Carioca
Marcelo
Gularte, morador de Realengo, cineasta que dirigiu o
premiado curta “Bangu Território em Transição”. Fez dia 1° de maio a
pré-estreia, na sede do Bangu Atlético Club, do seu mais novo documentário,
também um curta, “Mc Magalhães uma Lenda
Viva do Funk”. O filme conta um pouco da história desta pessoa emblemática da
cultura funk que é conhecida em toda a cidade do Rio de Janeiro, sobretudo na
Zona Oeste.
O “Rap do Trabalhador” tornou Magalhães conhecido em todo o Brasil, e é sua
composição de maior relevância e reconhecimento. Esta música fez muito sucesso
na década de 90 e inseriu Magalhães no cenário do funk, com o seu jeito crítico
e peculiar de compor. A música trás uma crítica política a maneira como a
prefeitura, sob a administração do então prefeito, César Maia, reprimia os
vendedores ambulantes na cidade e fala do cotidiano do MC.
Tchurunanublaze............Maroulive
Tchurunanuglanver.........Maroulevre
Vendo Chokito-ô............Marouglive
Tira o Pali-blazer............Lalalalá
Vendo bala....................eu
Trabalho
Vendo Chokito-ô............Magalhanze
Trabalhador-ô.................quele Rap
Euuueuderado................temarada
Vende Bombom-ô..........Magalhanze
Considerado-ô................qualquer
parada
Compro barulho-ô...........Magalhanze
Trabalhador-ô..................vendo
bala
Tomaram minha caixa.....de bombom-ô
Do serenata....................de amor-ô
Aquele Rap.....................eu
trabalho
Considerado-ô.................patabalho
Vou pro Coleginho-ô.........César Maia
Quebrou a firma...............César Maia
Todo mundo duro-ô.........Magalhanze
"Agora dança do Magalhães vai lá
ôôôô.......Magalhanze"
É quatofunke..................Maroulive
Tchurunanublaze............Marioklunfer
Cato garrafa....................No
Mackenzie
É Magalhanze................Magalhanze
Você trabalha..................Vende
Chokito
Tchurunanublaze.............Maroulive
Tchurunaluglanve.............lalalalá
Considerado-ô.................me
pegaro-ô
Tomaram minha caixa......de bombom-ô
Serenata de amor-ôôô......Magalhanze
A Verdade.......................a
verdade
Mando nas mulheres........eu que mando
É eu que mando...............Magalhanze
Você que é o cara............Magalhanze
Ignorando preconceitos gramaticistas, concordo
com Marcus Faustini quando diz que existe sofisticação em sua composição e ele
parece flertar com a poesia concreta, ainda que nem ele mesmo saiba disso.
O talentoso artista multimídia Marcelo
Gularte, mais uma vez ratifica seu compromisso com suas raízes e volta seus
olhos aguçados, para a zona oeste. Esta região da cidade que é extremamente esquecida
por projetos culturais enquadrados ou não em editais públicos ou leis de
incentivo a cultura. E tem uma carência enorme de espaços culturais públicos.
O filme, por se tratar de um curta
metragem tem sua limitação temporal, e quando estamos nos divertindo e
apreciando conhecer um pouco da vida de Magá, abruptamente ele acaba nos
deixando um "gostinho de quero mais".
Por Armando Gamboa / Produtor
Cultural










