Mostrando postagens com marcador funk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador funk. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de maio de 2013

Magalhães, um famoso desconhecido.

 

Magalhães, um famoso desconhecido.

Obs:  Resgatamos esta matéria em nossos arquivos publicada no primeiro trimestre de 2013 

Documentário de Marcelo Gularte morador de Realengo, mostra detalhes desconhecidos do famoso MC. Magalhães.


fotos Luiz Fortes
Para alguns somente um vendedor na esquina, para outros simplesmente um cara legal. Uma coisa não se pode negar, ele é muito popular e já tínhamos intenção de falar sobre ele mas confessamos que não queríamos parecer exploradores de sua imagem e inocência, como infelizmente acontece. Quando o Marcelo Gularte nos disse alguns meses atrás que estava idealizando este projeto então decidimos aguardar, e aguardar esta obra.


Pró-Realengo: Como se deu o interesse de documentar o personagem Magalhães?

reprodução
Marcelo Gularte:   Há muitos anos eu conheço o Magalhães, crescemos juntos, ele foi amigo do meu irmão. Quando surgiu o edital pela secretaria de estado de cultura, o primeiro edital voltado para criações artísticas no funk, pensei em trazer a memória dessas três décadas do ritmo pela figura do Mc Magalhães, que é uma personalidade popular das ruas do Rio e representa de forma muito carismática e positiva a figura do funkeiro.

 


Pró-Realengo
reprodução
: O que você destaca de mais interessante nestas pesquisas?

Marcelo Gularte:   O interesse em produzir um material audiovisual com o Mc Magalhães, frequentemente referido como uma lenda viva do funk carioca é o desejo de valorizar a sua contribuição como um típico cidadão brasileiro criativo, camelô, andarilho que circunvaga por todas as comunidades e retrata muito bem todas as gerações que atravessam a história do funk. O seu Rap do trabalhador está imortalizado na coletânea dos clássicos funk´s das antigas, e um rap que além de retratar um momento político do prefeito César Maia contra os vendedores ambulantes, Magalhães consegue divertidamente desconstruir a forma de se fazer rap, nos modelos da época. Acho que consegui dar um tratamento ao filme que representará bem o significante do Mc Magalhães na cultura.

 

Pró-Realengo :  Certamente a grande maioria que conhece o personagem, não conhece detalhes particulares...e com este desconhecimento cria-se diversas muitas lendas.

Marcelo Gularte:   Sim. tenho ouvido diversas histórias. E esse é o barato em torno do Magalhães. Como ele é uma figura queridíssima, um tipo Gentileza do funk, ele acaba protagonizando lendas em torno de sua figura. No curta metragem teremos algumas personalidades falando sobre o Mc Magalhães, dentre elas: Mc Marcinho, Mc Bob Rum, Mc Leonardo, o artista plástico Clécio Régis, o produtor cultural, diretor, escritor e cineasta Marcus Faustini.

 

 

Pró-Realengo :  Como o Magalhães lidou com todo este processo?

Marcelo Gularte:   O Magalhães se divertiu muito e se emocionou também. Quando disse para ele que faria um filme sobre ele, "tu que sabe", me respondeu. Tentamos reproduzir a imagem do Magalhães que todo mundo conhece pelas ruas, becos e esquinas. E acho que ele ficou bem a vontade diante das câmeras. Fizemos um tour com ele pelo Rio de Janeiro, em mirantes, praias, Arcos da lapa. Era engraçado que em alguns lugares ele nunca tinha pisado, mas não teve um lugar que ele não tenha encontrado admiradores. Todo lugar, era gente gritando "Magalhães", e tirando foto, cantando sua música. Prova de sua popularidade e carisma pelas ruas.

Pró-Realengo :  Sei que é sua intenção ampliar este projeto para um Longa metragem, tem ideia quando será?

Marcelo Gularte:   Gostaria de rodar o longa o quanto antes, mas para esse trabalho precisamos de um patrocínio que ainda não temos. Minha intenção é colocar em leis de incentivos, angariar fundos e conseguir apoios.

 



Como foi....estivemos presente prestigiando ao amigo Marcelo Gularte e claro também ao Magalhães que é um figuraça super simpático e que está sempre de alto astral.

No documentário diversos depoimentos explicam algumas passagens que a grande maioria desconhece seu sumiço por diversas vezes e que geram sempre a duvida de sua morte, logo desfeita quando o reencontramos nas ruas... Alguns desses depoimentos são de pessoas ligadas a arte de uma forma geral, produtores, empresários, músicos, cantores etc.


Destacamos a mãe do Magalhães falando sobre a demanda judicial que corre há anos na justiça contra a Furacão 2000, que usou sua musica num de seus discos e não pagou como rezava em contrato. As contas já chegam a quase R$ 200.000,00 (duzentos mil reais)  e o senhor Romulo Costa se nega a pagar como na ultima audiência conciliadora em que através de um de seus três advogados ofereceu R$ 10.000,00 (dez mil reais) e nada mais. Sem acordo...



É o poder oprimindo mais uma vez os menos desfavorecidos, e por ironia a musica se chama “ O Rap do Trabalhador”



aqui o documentário do Marcelo Gularte: Uma lenda viva do funk.


xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

aqui uma colaboração do amigo Antônio Gamboa


Ícone da Cultura Funk Carioca

 

 

Marcelo Gularte, morador de Realengo, cineasta que dirigiu o premiado curta “Bangu Território em Transição”. Fez dia 1° de maio a pré-estreia, na sede do Bangu Atlético Club, do seu mais novo documentário, também um curta, “Mc Magalhães uma Lenda Viva do Funk”. O filme conta um pouco da história desta pessoa emblemática da cultura funk que é conhecida em toda a cidade do Rio de Janeiro, sobretudo na Zona Oeste.

O diretor, habilmente alterna imagens do protagonista em diferentes locais da cidade do Rio, com depoimentos de Marcus Faustini, Chiquinho do Pandeiro, DJ Marcelo André, MC Leonardo, Clécio Régis, Mc Marcinho entre outras pessoas que conhecem e admiram o trabalho de Magalhães, além de sua mãe, D. Vera. As imagens do MC corroboram os adjetivos que os depoentes atribuem a ele: alegria contagiante, simplicidade, pureza, humildade e garra e afirmam a importância que ele tem para a cultura popular carioca. Gularte aborda ainda, a querela judicial com a Furacão 2000, que teria se aproveitado da simplicidade e pureza do Magá.


O “Rap do Trabalhador” tornou Magalhães conhecido em todo o Brasil, e é sua composição de maior relevância e reconhecimento. Esta música fez muito sucesso na década de 90 e inseriu Magalhães no cenário do funk, com o seu jeito crítico e peculiar de compor. A música trás uma crítica política a maneira como a prefeitura, sob a administração do então prefeito, César Maia, reprimia os vendedores ambulantes na cidade e fala do cotidiano do MC.

 

Tchurunanublaze............Maroulive

Tchurunanuglanver.........Maroulevre

Vendo Chokito-ô............Marouglive

Tira o Pali-blazer............Lalalalá

Vendo bala....................eu Trabalho

Vendo Chokito-ô............Magalhanze

Trabalhador-ô.................quele Rap

Euuueuderado................temarada

Vende Bombom-ô..........Magalhanze

Considerado-ô................qualquer parada

Compro barulho-ô...........Magalhanze

Trabalhador-ô..................vendo bala

Tomaram minha caixa.....de bombom-ô

Do serenata....................de amor-ô

Aquele Rap.....................eu trabalho

Considerado-ô.................patabalho

Vou pro Coleginho-ô.........César Maia

Quebrou a firma...............César Maia

Todo mundo duro-ô.........Magalhanze

"Agora dança do Magalhães vai lá ôôôô.......Magalhanze"

É quatofunke..................Maroulive

Tchurunanublaze............Marioklunfer

Cato garrafa....................No Mackenzie

É Magalhanze................Magalhanze

Você trabalha..................Vende Chokito

Tchurunanublaze.............Maroulive

Tchurunaluglanve.............lalalalá

Considerado-ô.................me pegaro-ô

Tomaram minha caixa......de bombom-ô

Serenata de amor-ôôô......Magalhanze

A Verdade.......................a verdade

Mando nas mulheres........eu que mando

É eu que mando...............Magalhanze

Você que é o cara............Magalhanze

 

 

Ignorando preconceitos gramaticistas, concordo com Marcus Faustini quando diz que existe sofisticação em sua composição e ele parece flertar com a poesia concreta, ainda que nem ele mesmo saiba disso.

O talentoso artista multimídia Marcelo Gularte, mais uma vez ratifica seu compromisso com suas raízes e volta seus olhos aguçados, para a zona oeste. Esta região da cidade que é extremamente esquecida por projetos culturais enquadrados ou não em editais públicos ou leis de incentivo a cultura. E tem uma carência enorme de espaços culturais públicos.

O filme, por se tratar de um curta metragem tem sua limitação temporal, e quando estamos nos divertindo e apreciando conhecer um pouco da vida de Magá, abruptamente ele acaba nos deixando um "gostinho de quero mais".

 

Por Armando Gamboa  / Produtor Cultural